quarta-feira, 2 de março de 2011

Empresários discutem sobre a construção de resort no litoral

A área fica localizada num sítio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Um grande empreendimento hoteleiro deve surgir em Parnaíba, cidade localizada a 318 quilômetros ao norte de Teresina. O grupo português Luzeiros e o grupo italiano Boa Vista firmaram parceria para a construção de um hotel com 120 leitos e mais um prédio residencial com 120 apartamentos. A estrutura será erguida no terreno onde funcionou o BNB Clube de Parnaíba.
A área fica localizada num sítio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, e a construção de novos empreendimentos precisa ser liberada pelo órgão.
Na manhã desta segunda-feira (07), técnicos do Iphan estiveram reunidos na sede do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae no Piauí, com o secretário de Turismo do Estado, Sílvio Leite; com os deputados federais Osmar Junior e Paes Landim; com a deputada estadual Juliana Moraes Souza, com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico do Piauí, Warton Santos; e com o diretor técnico do Sebrae no Piauí, Mário Lacerda, para acelerar a liberação da obra. O encontro contou ainda com representantes dos grupos Luzeiros, Vitório Rodrigues, e do grupo Boa Vista, José Ugo Machado.
A grande preocupação das autoridades e dos empresários é que o empreendimento fique pronto até a Copa de 2014, já que Parnaíba candidatou-se para ser uma das sub-sedes do mundial de futebol.
“Parnaíba é a porta de entrada para a Rota das Emoções, um modelo de consórcio turístico que é exemplo de sucesso para o país. A cidade tem uma costa por onde passam muitos veleiros e também é o local mais próximo da Europa. O mundo inteiro quer conhecer o Delta do Parnaíba, mas sem um equipamento turístico adequado não conseguiremos atrair turistas para a região. A nossa preocupação é que tenhamos tempo hábil para erguer o hotel para não perdermos as oportunidades que se projetam com a Copa do Mundo. Precisamos garantir a nossa fatia nesse processo”, destacou o secretário estadual de Turismo, Sílvio Leite.
Leite foi o grande articulador na atração dos investimentos dos grupos Luzeiros e Boa Vista para o litoral do Piauí. O secretário se fez presente em todas as decisões, que cabiam a intervenção do Governo do Estado, desde a apresentação da proposta até a escolha do local onde funcionaria o empreendimento.
“É surpreendente o potencial de Parnaíba para o turismo. Faço parte de um grupo que tem know-how na área hoteleira e juntamente com o grupo Boa Vista pretendemos movimentar a área histórica de Parnaíba, mostrando para o mundo, o que a região tem de melhor. Mas para que isso aconteça precisamos uniformizar a qualidade dos empreendimentos nas cidades que fazem parte da Rota das Emoções. Já temos hotéis em Fortaleza e São Luís. Agora partimos para os investimentos em Parnaíba, acreditando bastante nesse projeto”, declarou o representante do grupo Luzeiros, Vitório Rodrigues.
Ainda segundo Rodrigues, a Rota das Emoções será o principal destino turístico da Copa do Mundo. “O roteiro tem um ecossistema único no mundo e o momento de projeção é esse. Precisamos chegar em 2013 com esse empreendimento funcionando. É a nossa prioridade e estamos otimistas quanto a isso”, acrescentou o representante do grupo Luzeiros.
Para a concepção do projeto arquitetônico do empreendimento foi contratado o escritório João e Gustavo Almeida, responsável por diversos projetos arrojados no Piauí. O grande impasse para a liberação da obra é que os investidores querem a verticalização e o Iphan aconselha que os prédios não sejam tão imponentes, e tenham uma estrutura mais horizontal.
“Esse é um empreendimento possível e viável, mas que precisa ser analisado com cautela, já que o centro de Parnaíba foi tombado em 2008 e como patrimônio precisa ser preservado. Os galpões portuários e a estação ferroviária de Parnaíba fazem parte de momentos históricos de desenvolvimento da cidade, por isso precisamos manter a qualidade desses bens”, afirmou a representante do Iphan, Claudiana dos Anjos.
Segundo o deputado federal Osmar Júnior, o rigor da lei é necessário, mas o excesso de rigor é preocupante. “Precisamos resolver esse conflito e buscar ajustes nesse projeto, que atendam não só ao interesse do investidor, mas que também dêem vida àquela região histórica”, disse. Osmar Júnior é um dos grandes articuladores junto à Fifa para que Parnaíba seja sub-sede da Copa do Mundo de 2014.
O prefeito de Parnaíba, José Hamilton Castelo Branco, defende a obra e acredita que a boa vontade nesse processo é crucial. “Precisamos fazer acontecer, com responsabilidade, pois o centro histórico está sem vida, o que nos preocupa muito. Se não mudarmos essa situação podemos perder todo aquele patrimônio. O hotel sem o patrimônio não terá vida, assim como aquela área sem um empreendimento adequado também não. Gostaria de agradecer aos deputados, ao Governo do Estado, ao Iphan e ao Sebrae, que estão envolvidos nessa causa e promovendo essa discussão em alto nível”, comentou José Hamilton.
Para o diretor técnico do Sebrae no Piauí, a existência da Rota das Emoções passa pela preservação do meio ambiente e do patrimônio histórico, mas é preciso sensibilidade para não subutilizar esse potencial. “Precisamos ficar atentos para as oportunidades que surgem e buscar o bem comum. Não podemos mais nos acomodar de vermos as coisas acontecendo em outras regiões e o Piauí ficando para trás”, ressaltou o diretor.
A deputada Juliana Moraes Souza também se pronunciou no encontro, afirmando ser uma das grandes defensoras da preservação do patrimônio histórico e cultural de Parnaíba. “Eu como cidadã já formulei diversas denúncias de depredação desses bens e admiro o trabalho do Iphan. Mas afirmo que é preciso analisar esse projeto com cautela e sensibilidade, já que esse empreendimento trará muitos ganhos para a nossa região”, disse Juliana.
Também estiveram presentes no encontro o presidente da Associação Industrial Piauiense, AIP, Ezequias Costa; o superintendente da Caixa Econômica Federal no Piauí, Herbert Buenos Aires; o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens, Abav no Piauí, Mamede Castro; o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira, ABIH no Piauí, Dílson Trindade; o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, José Borges de Araújo; além de outras lideranças empresariais e de representantes do trade turístico local. 

http://180graus.com/geral/empresarios-discutem-sobre-a-construcao-de-resort-no-litoral-401233.html

Sebrae e ABIH lançam programa para capacitar pequenos hotéis e pousadas para a Copa de 2014


09/02/2011
Agência Sebrae
RIO - De olho nas oportunidades que irão surgir com a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o Sebrae e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) lançam, no próximo dia 21, em Brasília, o Programa de Qualificação de Pequenos Meios de Hospedagem. Com aporte na ordem de R$ 3,3 milhões, o programa beneficiará 1,3 mil donos de pequenas pousadas e hotéis, com o objetivo de prepará-los para atender com excelência aos turistas que visitarão o país durante o evento esportivo. O programa será lançado inicialmente nas 12 cidades-sede da Copa.
De acordo com o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, o objetivo da entidade é que a qualificação seja um legado para os micro e pequenos empresários, para que sejam beneficiados antes, durante e depois da realização da Copa do Mundo de 2014.
— A qualificação pode gerar ainda mais negócios, pois o turista que vier ao Brasil e for bem atendido vai levar uma imagem positiva do nosso país para casa e voltar outras vezes — diz Barretto.
O programa já foi lançado em Cuiabá, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza. Os próximos destinos confirmados são Curitiba, no dia 25 deste mês; Manaus, em 3 de março; Salvador, em 15 de março; e Porto Alegre, no dia 24 do próximo mês. Ainda não há data definida para o lançamento no Rio e em mais duas cidades-sede.
Dados do Ministério do Turismo indicam que o número de visitantes estrangeiros no Brasil deve crescer progressivamente até 2014. Só no ano da Copa, o país espera receber oito milhões de visitantes, sendo 600 mil apenas no mês do mundial. O número de brasileiros que devem viajar pelo país durante o evento esportivo deve chegar a três milhões.
O Programa de Qualificação de Pequenos Meios de Hospedagem é resultado de convênio firmado entre Sebrae e ABIH em 2010. A parceria prevê diversas ações com a finalidade de preparar os pequenos meios de hospedagem para o evento esportivo de 2014. Estão previstas capacitações em 32 destinos, elaboração de material voltado à gestão básica e realização de um diagnóstico para identificar o nível de competitividade de 1,5 mil empresas.
Nas capacitações, destinadas a gestores, coordenadores e colaboradores de empresas hoteleiras, serão abordados temas ligados à inovação da gestão, sustentabilidade, competitividade e marketing. Serão realizadas 32 oficinas. Para incentivar o aumento da competitividade, também haverá novas estratégias de comercialização, como uma central de negócios e incentivos previstos na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, tendo como viés as vantagens da formalização.
De acordo com o presidente do ABIH, Enrico Fermi Torquato, o objetivo é fornecer aos pequenos meios de hospedagem mecanismos para o desenvolvimento do turismo competitivo e sustentável.
http://extra.globo.com/emprego/sebrae-abih-lancam-programa-para-capacitar-pequenos-hoteis-pousadas-para-copa-de-2014-1034053.html

terça-feira, 1 de março de 2011

Embratur: Brasil precisa agregar valor a destinos turísticos

09/02/11
BRASÍLIA – Para aumentar a competitividade no mercado turístico internacional, o Brasil precisa “enriquecer o seu produto turístico” e mostrar aos estrangeiros que o país tem, em vários destinos, mais de uma opção de atividade para quem venha a trabalho ou a passeio. A ideia é do presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Mário Moysés, que na manhã desta quarta-feira (9) participou de entrevista a emissoras de rádio de todo o país no programa Brasil em Pauta, veiculado pela Rádio Nacional AM e pelo canal NBR.

Moysés deu como exemplo Salvador que agrega sol e praia com diversidade cultural. Além do chamariz do litoral, a capital da Bahia abriga o Centro Histórico do Pelourinho que guarda parte da história da colonização portuguesa e também tem diversas atividades de lazer, como os shows semanais do grupo Olodum. “Os turistas procuram locais com identidade própria”, enfatizou durante a entrevista aos radialistas.

No ano passado, números preliminares apontam que o Brasil recebeu 5,1 milhões de turistas estrangeiros que trouxeram US$ 5,91 bilhões ao país. No entanto, o valor gasto por brasileiros no exterior (cuja maior parcela é relativa ao turismo) é quase três vezes maior. Segundo Mário Moysés, “é difícil equilibrar o saldo”. Além dos atrativos de outros países, destinos estrangeiros têm vantagens por causa da conectividade de transporte e oferta de pacotes baratos, “que atrai perfil com renda mais baixa e forma grande volume de visitantes”, explicou.

Na competição com destinos de sol e praia, por exemplo, o Brasil sofre concorrência direta do México, dos países do Caribe e até da Espanha que estão mais próximos dos “países emissores” da Europa e América do Norte. Para atrair mais turistas estrangeiros, a estratégia é crescer em mercados que já são alvo como a Alemanha e a Inglaterra; em mercados emergentes, como os países escandinavos; e, especialmente, na América do Sul. Segundo Moysés, colombianos, peruanos e venezuelanos ainda visitam pouco o Brasil.

A expectativa da Embratur para este ano é que 5,5 milhões de turistas de outros países venham ao país. No ano da Copa do Mundo (2014), a projeção é de até 8 milhões de pessoas; e em 2020, 10 milhões de visitantes.

Para atrair mais turistas, a Embratur vai aumentar sua participação em feiras estrangeiras de turismo e seminários com agentes de viagem, companhias aéreas e operadores de pacotes no exterior. Hoje, por exemplo, o país promove um road show (seminários e exposições) em Paris por ocasião do amistoso de futebol das seleções brasileira e francesa.

Moysés aponta que esses eventos são úteis para esclarecer informações e reverter imagens negativas de violência e do turismo para exploração sexual. O presidente da Embratur citou como exemplo sua passagem, no mês passado, pela Espanha onde concedeu várias entrevistas à mídia local explicando que os deslizamentos das encostas na região serrana fluminense não afetaram a cidade do Rio de Janeiro, principal destino de estrangeiros no Brasil, a cerca de 80 quilômetros do local.

Segundo o presidente da Embratur, o país atualmente desfruta de uma imagem positiva em função da diminuição da exclusão social. “O Brasil projeta imagem de país que se desenvolve e atrai investimentos”, acredita.
http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=9&id_noticia=361694

Viagens corporativas movimentarão R$ 23 bi

22/02/11
São Paulo - O trânsito dos executivos e empresários em viagens de negócios por várias regiões brasileiras, que já representa mais da metade de toda a movimentação turística no País, vai aumentar este ano. A perspectiva é que o segmento de viagens corporativas ostente números graúdos no Brasil em 2011, e a projeção é que esta indústria cresça 8,5% e alcance em volume pouco mais de R$ 23 bilhões em receita.



Ano passado, o setor cresceu nada menos que 20,43% em relação a 2009, tendo movimentado então R$ 21,21 bilhões, aproximadamente. Se levar em conta o efeito multiplicador que tais viagens têm na economia, então obtém-se um valor expressivo sob qualquer parâmetro: R$ 40,09 bilhões é o montante que este efeito produziu no ano que passou. Isto considerando as receitas operacionais dos segmentos de transporte aéreo, hospedagem e locação de veículos. O valor em questão equivale a 56,67% de toda a movimentação turística no País.



Estes foram os dados apurados e apresentados ontem, com a 5ª pesquisa Indicadores Econômicos das Viagens Corporativas (IEVC). Diante deles, os representantes do setor advogam: "chegou a hora de as viagens corporativas no Brasil pararem de ser eclipsadas pelo turismo de lazer e receberem da sociedade e do poder público a atenção a que fazem jus", defendem.

http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=9&id_noticia=363023

Gruta da Lapinha ganha iluminação com 16 milhões de tonalidades

Publicação: 29/09/2010 06:27 Atualização: 29/09/2010 06:57
<>Sistema não apenas vai encantar visitantes, mas também ajudar na preservação do ambiente (BETO NOVAES/EM/D.A PRESS)
Sistema não apenas vai encantar visitantes, mas também ajudar na preservação do ambiente
As cores vão do branco ao âmbar, passeando por 16 milhões de tonalidades diferentes para criar um cenário que, se já era espetacular, se torna ainda mais grandioso em sua história, beleza e encantamento. A Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, passou na tarde de terça-feira, com nota 10, por um teste que realça os salões cobertos de estalagtites e estalagmites e valoriza ainda mais as formações calcárias datadas de 600 milhões de anos. Satisfeito e emocionado, o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho acionou, pela primeira vez, a nova iluminação dessa joia da região cárstica, que consiste num sistema de lâmpadas do tipo LED (sigla em inglês para diodos emissores de luz).

“Com estas luzes coloridas, a Lapinha fica parecendo uma catedral, com a diferença de que, neste caso, foi obra do próprio Criador. A natureza, aqui, ganha de Leonardo Da Vinci”, disse Carvalho, enquanto observava o Salão das Cataratas, logo na entrada da gruta, que deverá ser reaberta em março, depois de receber investimento do governo estadual de cerca de R$ 4 milhões. Um dos pontos mais visitados de Minas, com cerca de 20 mil pessoas/ano e atualmente fechado para o turismo, o patrimônio natural e cultural é um dos expoentes da área de proteção ambiental (APA) Carste de Lagoa Santa e do Parque Estadual do Sumidouro, administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).

Também ontem, o secretário visitou as obras do Centro Receptivo Peter W. Lund – batizado em homenagem ao paleontólogo dinamarquês conhecido como dr. Lund (1801-1880) – o que torna a Lapinha a primeira gruta do país a ganhar uma estrutura, de 500 metros quadrados e dois andares, especialmente projetada para atender os visitantes. O prédio em construção terá charme bem particular, garantido por estruturas como uma passarela entre árvores, por onde os turistas vão chegar ao monumento e já entrar no clima de aventura, diversão e conhecimento. “O prédio vai ficar meio ‘na moita’, sem interferir na paisagem deslumbrante que a Lapinha oferece”, brincou Carvalho, acompanhado da coordenadora do Projeto Rota Lund, Natasha Nunes, e do coordenador do Sistema de Áreas Protegidas do Vetor Norte/IEF, Roberto Alvarenga.

Mas ontem, mais do que nunca, o dia era das cores da atração maior do local, principalmente quando as primeiras luzes se acenderam para tornar a Lapinha uma festa para os sentidos. No lugar dos antigos holofotes, que aumentavam a temperatura do ambiente e provocavam o surgimento de fungos nos minerais, surgiram azuis magníficos, tons róseos, âmbar, branco e outros surpreendentes. O mais impressionante, no entanto, era ver vários ambientes iluminados ao mesmo tempo, num efeito que aumenta a profundidade e permite a perfeita harmonia entre o chão, as paredes e o teto esculpido pelo tempo. Alvarenga destacou que todas as escadas de metal existentes no interior da gruta manterão as luzes de segurança acesas permanentemente, para maior tranquilidade dos visitantes. Salão das cortinas, sala da filtração, figura da medusa – cada forma ganha ainda mais destaque diante dos olhos com o novo sistema. No lado de fora, já chama atenção de quem chega a demolição do antigo restaurante, o que permite que se enxergue o paredão da gruta. O local vai ganhar paisagismo novo.

Intercâmbio científicoNo receptivo turístico, ficará a exposição permanente com cerca de 70 fósseis do Museu Zoológico de Copenhague, que serão cedidos pelo governo da Dinamarca em regime de comodato, explicou Natasha Nunes, adiantando que este mês será assinado um acordo de cooperação com a instituição escandinava. Durante as mais de quatro décadas em que viveu na região de Lagoa Santa, Lund enviou ao seu país uma coleção com 12.622 peças, a maioria encontrada na Gruta Lapa Vermelha – destruída por uma empresa na década de 1970, para fazer o tesouro natural virar sacos de cimento. O acordo inicial para a transferência do material foi selado no ano passado por Natasha, pelo professor da PUC Minas Castor Cartelli e por autoridades dinamarquesas. O receptivo terá museu, reserva técnica do acervo, auditório, sala de reuniões, banheiros, vestiário, estacionamento e lanchonete. A Rota Lund demandou recursos do governo estadual de R$ 11 milhões.

“Além do lado turístico, é preciso destacar a importância científica da Lapinha. O nosso objetivo é criar um intercâmbio com a Dinamarca, para fomentar as pesquisas paleontológicas. A gruta será um museu aberto”, disse o secretário. Também ontem, ele visitou as grutas do Rei do Mato (25 mil visitantes/ano), em Sete Lagoas, cujas obras de infraestrutura serão concluídas em dezembro, e Maquiné (40 mil visitantes/ano), em Cordisburgo, prevista para o ano que vem. Os dois monumentos, que ganharam iluminação nova, fazem parte da Rota Lund, destino turístico que integra ainda o Museu de História Natural da PUC Minas, no Bairro Coração Eucarístico, Região Noroeste de BH, e o Parque do Sumidouro.

Monumento à beleza

A Gruta da Lapinha, a 48 quilômetros de Belo Horizonte pela Linha Verde, fica em um maciço calcário formado há 600 milhões de anos. Foi descoberta em 1835 por Peter W. Lund, considerado o pai da paleontologia brasileira. Ele pesquisou toda a região e descobriu, em 1840, restos de fósseis do primeiro homem americano da raça de Lagoa Santa, além de animais pré-históricos, como o tigre dente-de-sabre e a preguiça-gigante.

No interior da cavidade, chamam a atenção as formações minerais de estalactites (no teto, resultantes do gotejamento de água) e estalagmites (no chão). Devido a essas formas, os 12 salões ganharam nomes sugestivos e curiosos, como Couve-flor, Cascata, Pirâmide, Presépio e Catedral.

Até hoje, Lund é a principal referência para estudiosos da paleontologia de mamíferos no Brasil, sendo o primeiro a registrar a presença de pinturas rupestres e a entrar em algumas das mais de 800 cavernas que explorou na região.

Com os milhares de fósseis que descobriu, o naturalista dinamarquês escreveu a história do período pleistoceno brasileiro. Criou a base para uma ecologia nacional, ao convidar o botânico Eugene Warming para fazer um levantamento do cerrado da região de Lagoa Santa, que originou trabalho publicado em 1840.

MINAS GERAIS AVANÇA NA REGIONALIZAÇÃO DO TURISMO

A inclusão do critério turismo no ICMS Turístico do Estado, o aumento do número de municípios mineiros considerados Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional e a realização do Programa de Voluntariado da Organização Mundial do Turismo – OMT – marcaram os avanços do Programa de Regionalização do Turismo da Secretaria de Estado de Turismo em 2010.

“Os programas correspondem à capilaridade da Política Pública de Turismo em todas as regiões do Estado e a garantia de recursos a serem aplicados na atividade turística dos municípios contemplados”, afirma a secretária de Estado de Turismo, Érica Drumond.

A inclusão, em 2010, do critério turismo na Lei do ICMS Solidário é um ganho sem precedentes para o turismo no Estado já que, pela primeira vez na história da economia brasileira, os municípios mineiros terão um incentivo financeiro para trabalharem a sua gestão turística. O repasse dos recursos será feito semanalmente pela Secretaria de Estado de Fazenda a partir de janeiro de 2011. O ICMS Turístico tem o objetivo de colaborar para o desenvolvimento do segmento turístico em todo o Estado.

Turismo com informação

 20.01.11



Todos os municípios da Estrada Real (ER) podem ser identificados como parte do destino histórico. Até fevereiro deste ano, 199 totens e 398 displays estarão instalados ao longo dos mais de 1,6 mil quilômetros do roteiro. As peças carregam um mapa turístico para orientar o viajante. Isso garante informação a quem passeia por qualquer uma das cidades do caminho turístico. O trabalho é coordenado pelo Instituto Estrada Real (IER) e a instalação nos municípios acontece desde novembro de 2010.



Os totens são peças de cinco metros de altura. Eles são instalados na entrada das cidades, indicando que ela faz parte da Estrada Real. Já os displays são menores, com 2,6 metros de altura, e afixados em locais estratégicos das áreas urbanas, como nos centros ou em praças movimentadas. Ambas têm mapas turísticos da ER para orientação dos viajantes.



Os totens e displays da Estrada Real somam-se aos 1.926 marcos e 787 placas rodoviárias espalhadas pelo destino histórico. Os marcos estão instalados ao longo dos eixos principais dos Caminhos Velho, Novo, dos Diamantes e de Sabarabuçu, para orientação do viajante que percorre a ER pelo seu traçado oficial. As placas rodoviárias são colocadas nas rodovias da área de abrangência do roteiro. Já os totens ficam dentro das cidades, em ruas, praças e outros locais estratégicos, com informação para quem as visita.



“A sinalização da Estrada Real é uma importante ferramenta para informarmos o turista que circula pelo destino sobre o caminho certo e sobre os atrativos do roteiro”, resume o diretor-geral do IER, Baques Sanna. Ele destaca também a identificação que as peças geram junto aos moradores das cidades da ER. “É fundamental o sentimento de pertencimento, para que as comunidades sejam também divulgadoras do destino”, afirma.



Na rede

Além das peças instaladas nas rodovias, dentro das cidades e ao longo dos mais de 1,6 mil quilômetros do eixo principal, a Estrada Real conta com ferramentas eletrônicas para informar o turista. No site do IER (www.estradareal.org.br), o internauta encontra o Sistema de Informação Turística Georreferenciado da ER (SITGeo) e os roteiros planilhados. Ambos têm acesso gratuito e apresentam informações exclusivas para o viajante.



O SITGeo funciona na plataforma do Google Maps, Earth e Street View. Ele alia a forma de navegação conhecida dessas ferramentas com informações exclusivas da Estrada Real. Só no site do IER é possível ver, por exemplo, dados sobre quase 10 mil atrativos espalhados pelo destino. Cada um deles representa um ponto nos mapas, com fotos.



Também no site do IER ficam disponíveis os roteiros planilhados. Eles são planilhas de navegação para quem vai percorrer a Estrada Real a pé, a cavalo, de bicicleta ou de carro. Com informações detalhadas sobre todo o eixo principal do roteiro histórico, a ferramenta mostra com ícones os desafios dos caminhos. “É uma explicação detalhada sobre os 1,6 mil km da ER”, resume o turismólogo do Instituto, Rodrigo Azevedo.